Sábado, 15 de Dezembro de 2007

O elo mais fraco

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Depois de saber da minha gravidez, jamais ponderei abdicar do curso. No fundo, achei que uma gravidez não era impeditiva da continuação da minha rotina normal. A distância geográfica entre mim e o meu namorado revelou-se uma grande desvantagem. No entanto, se eu compreendia que ele tinha as responsabilidades dele aqui a Sul e das quais não poderia abdicar, também entendi que a mesma lógica se aplicava a mim. Moral da história: ele continuaria cá a tratar da vidinha dele e eu continuaria em Coimbra a tratar da minha. Entretanto o curso logo se terminaria (não sei bem ao fim de quanto tempo, uma vez que a menina seria a minha prioridade) e no final logo se veria como faríamos para ficar juntos (se assim o entendêssemos). Mas isso era o quadro que se pintava na minha imaginação fértil...

Na realidade o que é que aconteceu? Durante a época de exames de Setembro, em conversa com o meu namorado, chegou-se à conclusão de que por altura dos exames do 1º semestre haveria a probabilidade de eu não poder comparecer (e eu ralada!), devido à proximidade com a data do parto e também por algum receio de eu não estar fisicamente nas melhores condições para assistir ao final das aulas e exames, devido a eventuais sequelas do meu acidente de há mais de uma década, que se poderiam manifestar no final da gravidez (repondo a verdade dos factos, isso era um receio... a realidade é que estas sequelas já se fazem sentir há algum tempo). Por outro lado, temos os exames do 2º semestre, aos quais faltaria de certeza já que a pequenina teria pouquíssimos meses (e desconfio que o meu sono se vá alterar um pouco... isto para não falar na vontade e pachorra para estudar, que seria quase nula!). Apesar de todo este ano lectivo poder ser uma eventual incógnita, o próximo ano lectivo para mim era uma certeza. Deixava a pequenita com a minha mãe enquanto ia assistir às aulas. Tinha de fazer um esforço suplementar para me desdobrar em responsabilidades académicas e responsabilidades de mãe, mas penso que conseguiria contornar os eventuais obstáculos. No entanto, o meu namorado insistiu que queria acompanhar a minha gravidez de perto, apesar de eu lhe ter dito que não fazia questão disso e que a presença do pai seria fundamental para o bebé depois do nascimento. A sua presença durante a gravidez só seria fundamental se a grávida assim o entendesse e a grávida de serviço (ou seja, moi-memme) não fazia questão disso! (sou demasiado independente, que se há-de fazer?). Mas ele insistiu... que raio! Se eu não queria que ele abdicasse do que quer que fosse que estava a fazer na santa vidinha dele, por que carga de água teria eu de abdicar daquilo que estava a ser importante para mim naquele momento? Não querendo parecer fria de sentimentos, a realidade é que a bebé só iria sentir a falta daquilo que já conhecesse e de um momento para o outro se visse privada de ter... ora, se não conhecesse o pai durante os primeiros tempos (primeiros anos, vá) que falta tão grave viria daí? Mais do que insensível, estou a ser lógica! Voltando ao raciocínio anterior, muita menina no meu lugar teria aproveitado a oportunidade para prender o rapazinho ("engravidaste-me, agora assume a responsabilidade!"), mas aqui a vossa Danni fez precisamente o contrário ("ya, tou grávida, gosto muito de ti e tu sabes, mas nenhum dos dois tem de virar a vida do avesso por causa da gravidez. Gravidez não é doença e muito menos estorvo. Tu continuas aí e eu aqui. Quando acabar o curso, logo se vê como fazemos").

Mas no fundo acho que a presença de ambos os progenitores é fundamental para o desenvolvimento psico-afectivo do bebé e longe de mim querer privar a minha pequenina de tudo a que tem direito! Resultado: ele tem um trabalho estável, eu (obviamente!) não. A qual dos dois fazia menos "mossa" sair da sua vidinha e abdicar de tudo para se atirar de cabeça numa terra a 500 km de distância, longe da família, dos amigos, da rotina, da maluqueira, de Coimbra... para se sentir fora de contexto, deslocada e por vezes sozinha, sem vontade do que quer que seja, cansada demais para sair por aí a caminhar e preferindo ficar apática entre quatro paredes, mergulhada nos seus pensamentos automáticos grande parte do dia, dissecando ao pormenor coisas que só lhe fazem mal... estou a ficar patológica, sem dúvida!

Pois... quem menos perdia era eu e quanto ao pormenor em que abdiquei daquilo que estava a fazer, fi-lo por achar que era o mais correcto, mas sempre com a convicção de que voltaria. Isto cada vez mais me parece uma miragem. Volto quando? E a menina fica onde? Eu estou onde estou porque não a quis privar da presença do pai... será que para eu concluir aquilo que deixei pendente tenho de abdicar dela, numa altura em que a minha falta será fortemente sentida? Sinceramente, não quero! Onde estou neste momento não me falta absolutamente nada (excepto, por vezes, paz de espírito, o que não é bom para mim nem para a bebé), mas já pensei algumas vezes se não teria sido melhor ficar em Coimbra e ponto final. Assim agora não teria nada a reclamar por ver tantas incertezas no ar no que diz respeito ao meu regresso. A juntar a tudo isto, já me foi dito que depois iremos morar para um determinado sítio que, pura e simplesmente, me recuso a ir! E nesse aspecto não cedo! Não tenho absolutamente nada contra o sítio. A sério que não! Mas tal como disse num post anterior (e sem querer dar aqui e agora grandes explicações), recuso-me a misturar o meu futuro com um passado no qual não fui tida nem achada! Claro que, perante a minha actual recusa em querer explicar o porquê de não querer ir para lá, me têm sido pedidas alternativas que, como é evidente, não tenho. Obviamente, se esta questão me quer fazer ver que não tenho outra opção senão render-me às evidências e ir viver para onde não quero de todo, a jogada está muito mal feita e pode o resultado não ser o pretendido. Afinal de contas, a hipótese "voltar para casa" não está fora de questão!

Engraçado pensar agora que sempre quis que os meus filhos nascessem em Coimbra... engraçado como a vida e o que achamos ser mais correcto nos trocam as voltas!

Aproveitando o título deste post para final desta (longa) reflexão, sem dúvida que fui eu o elo mais fraco (e tenho a plena consciência do porquê de o ter sido e não me arrependo)... mas até quando?
publicado por Danni às 02:47
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15 comentários:
De sam a 10 de Janeiro de 2008 às 13:04
Comé fôfa, marchas?
De Squeezy a 4 de Janeiro de 2008 às 02:05
Daniela un grande ano de 2008 pra.... as decisões são sempre acertadas quando é é pensar no bem dos outros :)
De sonia a 1 de Janeiro de 2008 às 12:48
Quando começamos a pensar nas voltas que a nossa vida dá...
Acredito que não seja fácil deixar tudo para trás e fazer a opção que fizeste, mas, não te esqueças que não desististe da nada. Apenas estás a adiar a realuzação dos teus objectivos.
Admiro-te porque é preciso muita coragem para dar esse passo, que foi como dar um tiro no escuro.
A tua filha um dia agradecer-te-á, e para ti é também mais fácil ter o pai dela ao teu lado, e esperemos que por muito tempo.
Quando a dannizinha nascer, avisa!
Para ti este ano será inesquecível, porque a partir do momento que ele nascer, nunca mais ficarás sozinha...
Um beijo. Felicidades
De Srgio a 31 de Dezembro de 2007 às 01:51
Olá minha querida amiga,estou de volta,agora mais descansado do peso da paternidade:as noites mal dormidas,o infame cheiro das fraldas,o acordar de noite para dar o leitinho quando a mulher está a trabalhar no turno da noite,enfim...a minha pekenita está prestes a fazer um ano e agora és tu que tás prestes a saborear o prazer de ter um filho(neste caso,filha).Prepara-te para passares tudo o que foi atrás mencionado,e aproveita-o,pois apesar do trabalho,é uma experiencia linda!Ao fim de tanto tempo,perguntas-te tu:mas porque só agora escreves?E eu respondo-te,porque sonhei contigo hoje,sonhei com velhos tempos que passámos,com uma troca de sms constantes,de telefonemas a altas horas da matina,do nosso encontro cara a cara,e tenho de te dizer:sinto muitas saudades tuas!Foste(e és)muito importante na minha vida,e devo-te muito a ti por aquilo que sou hoje,e isso eu nunca te hei-de conseguir agradecer o suficiente.A tua situação é complicada,e a mudança que fizeste na tua vida foi grande,mas deixa o tempo trabalhar e deixa a pekena nascer(já tem nome?),a maternidade vai mudar a tua vida,por isso todas as tuas duvidas e esses sentimentos por agora só te complicam essa cabecinha linda,depois dela nascer,então sim,aí decide o que vais fazer á tua vida.Conhecendo como eu te conheço,sei que farás o mais correcto para ti e para a tua filha,disso nem tenho duvidas,e seja qual for essa decisão,sabes que poderás sempre contar com o meu apoio.Um beijo grande e com muita saudade deste teu amigo que te adora e não te esquece!

P.S.-Lembra-te que numa proxima reencarnação,vais casar comigo!Lololol!

P.S.2-Ainda tenho um pauzinho do chinês,lembras-te?
De Heavenlight a 30 de Dezembro de 2007 às 00:01
PARABÉNS!!! Não fazia ideia, mas ando mesmo sem tempo para visitar blogs (incluindo o meu). Quando nasce? Menina? Só 1? (não vás ser como eu...). Muitas dúvidas, não é, mas é normal. Espero que corra tudo bem e se precisares de alguma ajuda, sei lá, alguma dica ou algo do género, podes sempre perguntar (a experiência agora é a triplicar... as dores nas costas também...).
Os gémeos e o D. estão lindos!
Beijos
De shootingstar a 27 de Dezembro de 2007 às 00:03
Opá, o teu blog anda a brincar comigo!!! Opá, então agora não é que lhe perdi o jeito e isto publica três vezes o que eu digo?? E eu que voltei para desejar-te BOAS FESTAS PELO CORPO TODO!!! Imagina lá que isto vai repetir não sei quantas vezes... opáaaaa!!! Perdi-lhe o jeitinho todo, tá visto.... Falta de prática, só pode... hehehe... cof cof... disfarça, disfarça... hehe... bem, agora vou mesmo! Bjinhooooss do Alentejo!
De shootingstar a 27 de Dezembro de 2007 às 00:00
Venho desejar-te (e à bebé!!!) magníficas entradas em 2008!!! com tudo, mas mesmo TUDO DE BOM!!! Beijinhos grandes e até breve, Carla.
De shootingstar a 27 de Dezembro de 2007 às 00:00
Venho desejar-te (e à bebé!!!) magníficas entradas em 2008!!! com tudo, mas mesmo TUDO DE BOM!!! Beijinhos grandes e até breve, Carla.
De shootingstar a 27 de Dezembro de 2007 às 00:00
Venho desejar-te (e à bebé!!!) magníficas entradas em 2008!!! com tudo, mas mesmo TUDO DE BOM!!! Beijinhos grandes e até breve, Carla.
De sam a 21 de Dezembro de 2007 às 13:17
Um Feliz festival de Inverno tá? com muitas berlaitadas, sandes de couratos e mines !!
Grande Abraçe!!
Até pro Ano...

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