Quinta-feira, 20 de Julho de 2006

Maktub

Até que ponto estará o nosso destino já traçado? Até que ponto os encontros e desencontros da vida, que julgamos ser obra do acaso e do livre arbítrio, estarão já definidos à partida?

Há alguns meses, à vinda da universidade, passei com a minha irmã no local onde fui atropelada há 11 anos. A estrada está bastante diferente esteticamente, mas isso não impede que sinta por vezes (pouquíssimas, felizmente!) um aperto no peito e uma angústia que não consigo explicar... e tenho mesmo de passar nesse local, porque é a estrada principal e o caminho mais rápido para casa.

Em jeito de desabafo, comentei que tinha sido naquele local que a minha vida tinha mudado radicalmente. Porque poderia ter tomado outro rumo que não aquele que me conduziu aos dias de hoje.

A nível amoroso teria sido diferente. Não teria passado quase 10 anos a dar importância a pequenos nadas e ter-me-ia preocupado mais em passar tempo de qualidade com aquele que julguei ser o meu companheiro para o resto da vida. Não teria chegado a conclusões importantes tão tarde. Ter-me-ia apercebido que tive tudo o que sempre desejei e saberia dar o devido valor... mas isso é o que eu sei hoje, a lição que retiro ao olhar para trás. (nem de propósito... a rádio começou a passar “Always” de Bon Jovi. Faz-me lembrar bons momentos... nostalgia...).

Se a nível sentimental a minha vida poderia ter seguido outra trajectória, independentemente de o suposto livre arbítrio me fazer ficar (ou não) com aquela pessoa, a outros níveis as diferenças também se fariam sentir. Provavelmente o meu percurso académico poderia ter sido outro e, consequentemente, a minha entrada no mundo do trabalho aconteceria alguns anos antes... ou então talvez tudo tivesse mesmo de acontecer desta forma, porque acabei por entrar no curso que sempre desejei graças à média que obtive num curso que inicialmente não me cativou. Acabei por voltar a ser “caloira” numa fase da minha vida em que já levava a “lição estudada”, daí ter sabido tirar partido de tudo o que sabia estar à minha disposição... desta vez não poderia ter uma vivência académica tão vazia como tive na minha primeira licenciatura! Como tantas vezes me disseram, eu não passava por caloira. Não se tratava da diferença de idades (que me diziam não aparentar... são tão simpáticos e bonzinhos, não são? Eheheh), mas por não ter o ar perdido dos caloiros... e eu que andava desertinha para ser apanhada por uma trupe!

Se as voltas da vida me levaram, tantos anos mais tarde, ao curso que é minha paixão desde os 14 anos, porque me “obrigou” depois a ter de quase abdicar dele? Sei bem que necessito de ganhar algum dinheiro para poder continuar, mas com a entrada em vigor do Processo de Bolonha, não estar a tempo inteiro na faculdade pode levar a que faça as disciplinas com aproveitamento muito aquém daquele que sei que sou capaz, ou mesmo reprove. Se algum dia estes “acasos “ marados a que a minha vida se dá o desplante me fizerem abandonar este sonho, será uma frustração que me acompanhará para o resto da minha vida... e disso não tenho a menor dúvida!

Em última análise, se o rumo da minha vida não tivesse desviado naquele dia, muito provavelmente não teria passado por todo o stress psicológico que passei aos 27 anos. É desnecessário estar agora a debitar pormenores dessa fase, pois eles estão todos em posts de meses anteriores e quem acompanha este blog há mais tempo está a par das voltas insanas que a minha vida deu. Porta fechada!

E que dizer de todas as pessoas que cruzaram a minha vida nos últimos 11 anos, pelos mais diversos motivos, mas sobretudo aquelas que tive a sorte de conhecer nos momentos menos bons? Continuariam a fazer parte dela se o meu percurso tivesse sido outro?

Definitivamente, estaria num ponto de situação bastante diferente daquele que se me apresenta hoje. Melhor? Não faço ideia. Ou será que, no fundo, a vida acabaria por dar mil e uma voltas até se cumprir o destino? Se assim fosse, qual o objectivo? Aprendizagem, presumo.

Talvez tenha sido necessário passar por tudo isto para aprender a dar o devido valor ao que tenho e ao que sou neste momento.

No fundo, todos estes acasos me fizeram crescer como pessoa...

Maktub!
publicado por Danni às 14:11
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1 comentário:
De Patrick a 21 de Julho de 2006 às 03:40
Maktub ?? o que é essa merda?? lol tou a brincar acabaste de me dizer há pouco. Miga...nunca desistas desse teu sonho, isto se não queres levar uma valente sova...pq eu não vou deixar de te " foder" a cabeça e nunca vou deixar que desistas de tal coisa, que sei muito bem que é uma das coisas que necessitas para te sentires realizada. Tudo na vida tem um lado bom, pois a vida é feita de equilibrios, temos é de ver as coisas na perspectiva certa ( perspectiva cavaleira lol). Encara a vida com esse sorriso maravilhoso que tens, vive a vida como tens feito, sê feliz o maximo que possas...e principalmente...se mudares que seja para seres uma pessoa ainda melhor, mas isso já é quase que impossível. beijos e espero que no momento que estou a acabar este comentário, que mais parece um post, estejas a ter o tal sonho que eu vou continuar a fazer linhas e balões. bjssss desliga tu! :P

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